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Morre,aos 80 anos, o advogado criminal George Tavares - 13/06/2014

Morreu nesta sexta-feira (13/06), aos 80 anos, no Rio de Janeiro, o advogado criminalista George Tavares, que se destacou ao defender presos políticos na época da ditadura militar. Ele era reconhecido pela defesa da liberdade e dos direitos humanos, principalmente nos tribunais militares do País. O livro Os advogados e a ditadura de 1964 - A defesa dos presos políticos no Brasil (Vozes - 2010) o relaciona como um dos 15 mais notáveis advogados brasileiros.

Ele mesmo chegou a ser preso pelos militares, na noite de 1º de novembro de 1970, sem que respondesse a processo ou tivesse recebido qualquer acusação formal, simplesmente por defender presos políticos. Com ele também foram presos pelo mesmo "crime" os advogados Heleno Fragoso e Augusto Sussekind de Moraes Rego. Durante mais de 50 anos de militância na advocacia, manteve parcerias, primeiro, com o também criminalista Antônio Evaristo de Moraes Filho, e posteriormente com a filha, Kátia Rubinstein Tavares. Obteve várias vitórias em casos complexos, como cassações de prisões ilegais e arbitrárias e condenações injustas.

Carioca, George Francisco Tavares nasceu no dia 29 de dezembro de 1933. Advogado militante no Foro do Rio de Janeiro, estreou na profissão ainda no terceiro ano da faculdade de Direito, no dia 20 de junho de 1956, no 2º Tribunal do Júri. Seu desempenho lhe rendeu elogios do juiz que presidiu o júri, Bandeira Stampa, e foi registrado pelos principais jornais no dia seguinte.

Atuou em casos de grande repercussão, como a chacina do Lins de Vasconcelos, o desaparecimento de Dana de Teffé e o assassinato de Aída Cury (em que conseguiu a condenação dos réus). Junto com Evaristo de Moraes Filho, defendeu, entre outros, os ex-presidentes Juscelino Kubitscheck e Fernando Henrique Cardoso; o ex-deputado Fernando Gabeira; os jornalistas Hélio Fernandes e Carlos Heitor Cony, e o historiador Nelson Werneck Sodré. Nas décadas de 60 e 70, a dupla integrou um grupo de advogados que trabalhava voluntariamente na defesa dos perseguidos pela ditadura.

Foi professor de Direito Penal das faculdades de Direito da Uerj e da Gama Filho, presidente do Conselho Penitenciário do Rio de Janeiro e membro do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. Ocupou o cargo de procurador-geral da Justiça Militar por oito meses, período em que formulou um parecer pelo desarquivamento do inquérito que investigou a explosão da bomba no Riocentro.

Membro do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil de 2 de abril de 1973 a 3 de março de 1989, era também membro do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) desde 1967. Recebeu, por carta, as homenagens do governo austríaco, pelo seu trabalho profissional como representante da Áustria na extradição do criminoso nazista Franz Stangl.

George Tavares tinha mulher, três filhas e três netos. Sofreu um aneurisma cerebral há uma semana e estava internado no Hospital Evangélico, na Tijuca, onde morreu às 7h20 desta sexta-feira. Seu corpo será velado a partir das 8h de sábado (14/06) no Memorial do Carmo, no Cemitério do Caju, onde será sepultado às 11h.

* Notícia extraída do site do Instituto dos Advogados Brasileiros

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Técio Lins e Silva & Ilídio Moura